Os Encontros sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas (abreviadamente, ELESI) constituem-se no único evento periódico brasileiro no campo da educação escolar indígena e com sua oitava realização, em 2010, completará 15 anos de história.
Esse evento é uma tradicional realização da ong KAMURI, e sempre teve sua organização compartilhada com entidades afins. A responsabilidade da edição de 2010 será assumida conjuntamente pela KAMURI, pelo Grupo de Pesquisa “Conhecimento de Línguas Indígenas Brasileiras na relação Universidade & Sociedade” credenciado ao CNPq e sediado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Mato Grosso do Sul.
A KAMURI é uma ong criada em 2006 como sucessora do Núcleo de Cultura e Educação Indígena da ALB, que até 2007 foi responsável pela realização dos ELESI.
A questão da educação escolar em sociedades indígenas no Brasil tem ganhado importância cada vez maior a partir da Constituição Brasileira de 1988 (que garantiu às comunidades indígenas o direito a empregar suas línguas maternas e seus processos próprios de aprendizagem em seus programas de educação escolar), particularmente, nos últimos 15 anos.
A demanda por programas de educação escolar em comunidades indígenas cresceu de modo vertiginoso, segundo os Censos Escolares: em 1999, havia cerca de 1.400 escolas indígenas, com 93 mil alunos e quatro mil professores; em 2005, o número de escolas superava 2.300, com mais de 160 mil alunos, e com mais de 8.400 professores. No entanto, a formação (inicial e continuada) da maioria dos professores indígenas é bastante deficiente e não cumpre o papel de prepará-los para a construção de projetos pedagógicos efetivamente fortalecedores das culturas e línguas indígenas. Na maioria das escolas indígenas, por exemplo, ainda não ocorre alfabetização em língua materna, e em parte significativa das que o fazem, o tipo de programa bilíngüe segue o modelo do bilingüismo de substituição, nocivo à vitalidade da língua indígena. Por essas e outras razões, criar oportunidades de avaliação do ensino escolar indígena, de reflexão compartilhada que produza novos conhecimentos e propostas, e de encontro para discussão de propostas que fortaleçam as línguas indígenas é crucial à melhoria da qualidade do ensino escolar em sociedades indígenas e para construção de pensamento indígena autônomo no campo da educação escolar.
Nesse contexto, com muito esforço, tem se realizado o ELESI como único evento periódico (a cada dois anos), de âmbito nacional e aberto, sobre educação indígena no Brasil, desde 1995. Esse evento reúne, tradicionalmente, pesquisadores e educadores índios e não-índios, e dos sete encontros até aqui realizados, quatro resultaram em livros (I, III, IV, VI), e um quinto (referente ao VII Encontro, de 2007), está em preparação.
Seu caráter de evento de âmbito nacional, com grande credibilidade junto aos educadores e intelectuais indígenas e não indígenas, tem feito dos livros resultantes dos ELESI (como abreviadamente mencionamos os Encontros sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas) um material de pesquisa, fonte de informação e ferramenta de formação de professores em diversas regiões do país. Ao longo de seus já 12 anos de realização ( 1995 a 2007), passaram pelos ELESI como conferencistas, expositores de mesas-redondas, apresentadores de comunicações e participantes ouvintes, pesquisadores de uma dezena e meia de universidades brasileiras e estrangeiras (nas áreas de Antropologia, Lingüística, Lingüística Aplicada, Pedagogia, História, Artes, Matemática e Biologia), indigenistas do governo e de ongs, missionários católicos e evangélicos, agentes de educação de estados, municípios e Ministério de Educação (MEC), membros do Ministério Público, lideranças indígenas, escritores indígenas, professores índios e não-índios.
Desde sua criação em 1995, o Encontro sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas integrava a programação do COLE (Congresso de Leitura do Brasil), na condição de Encontro interno. O COLE, maior congresso do gênero no Brasil, é uma realização da ALB (Associação de Leitura do Brasil), em co-responsabilidade com a UNICAMP. Em função das dimensões muito grandes que aquele Congresso vinha tomando, a ALB deliberou mudanças no COLE, entre as quais, o fim dos Seminários ou Encontros Internos. Dessa forma, no 17º COLE, ocorrido em julho de 2009, não aconteceu o VIII ELESI, e sua realização em 2010 foi negociada com os tradicionais participantes, que culminou com a proposta da data de 25 a 28 de maio, em Dourados (MS).
As sete edições anteriores, dos Encontros sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas, como parte da programação do COLE, contaram, cada uma, com dois coordenadores, um representando o Núcleo de Educação Indígena da ALB (depois, Kamuri) e o outro, sempre alguém com vínculo institucional acadêmico.
Registramos, aqui, os organizadores dos sete encontros anteriores:
I ELESI (10º COLE, 1995): Wilmar R. D'Angelis (Unicamp) e Juracilda Veiga (NCEI ALB)
II ELESI (11º COLE, 1997): Juracilda Veiga (NCEI ALB) e Terezinha M. Maher (Unicamp)
III ELESI (12º COLE, 1999): Juracilda Veiga (NCEI ALB) e Andrés Salanova (Unicamp)
IV ELESI (13º COLE, 2001): Juracilda Veiga (NCEI ALB) e Beatriz Gualdieri (Unicamp)
V ELESI (14º COLE, 2003): Juracilda Veiga (NCEI ALB) e Wilmar R. D'Angelis (Unicamp)
VI ELESI (15º COLE, 2005): Juracilda Veiga (NCEI ALB) e Mª Beatriz Rocha Ferreira (Unicamp)
VII ELESI (16º COLE, 2007): Wilmar R. D'Angelis (Unicamp/Kamuri) e André Ramos (Funai)
Como mencionado, desses sete eventos publicaram-se quatro livros, a saber:
- Leitura e escrita em escolas indígenas, org. por Wilmar D’Angelis e Juracilda Veiga. Campinas: Mercado de Letras / ALB, 1997.
- Questões de educação escolar indígena: da formação do professor ao projeto de escola, org. por Juracilda Veiga e Andrés Salanova. Campinas: ALB; Brasília: Cendoc-FUNAI, 1999.
- Escola indígena, identidade étnica e autonomia, org. por Juracilda Veiga e Wilmar R. D’Angelis. Campinas: Núcleo de Cultura e Educação Indígena da ALB, Instituto de Estudos da Linguagem, 2001.
- Desafios atuais da Educação Escolar Indígena , org. por Juracilda Veiga e Maria Beatriz R. Ferreira. Brasília: Ministério do Esporte; Campinas: Núcleo de Cultura e Educação Indígena da ALB, 2005.
Núcleo de Cultura e Educação Indígena da Associação de Leitura do Brasil.
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